Virtudes
Luiz Maia
Quem reconhece em si aquilo que existe de bom, que lhe preenche e faz bem, deveria tão-somente transmitir isso aos outros. Certamente essa pessoa pode trazer consigo algumas virtudes.
Mas a virtude só passa a ser de fato uma virtude quando não se quer retorno.
Uma virtude deixa de existir quando sutilmente se começa a querer algo em troca.
A paixão pelo ser amado implica na necessidade da contrapartida.
Quando se tem amor pela vida, está-se envolvido por um sentimento unilateral, que se basta por si só.
Em ambos os casos inexiste virtude.
O desejar faz a virtude perder o seu sentido, ensejando uma possível troca.
Nenhuma virtude consegue ser plena e verdadeira quando tem por trás apegos ou desejos egoístas.
Eles criam o vazio e descaracterizam tal sentimento.
Costumamos nos lembrar com exaltação dos momentos em que vivemos apaixonados.
Apaixonamo-nos freqüentemente por pessoas, pelos fenômenos da natureza, por todas as formas de vida.
A paixão é uma forma egoísta das pessoas expressarem sua alegria, seu contentamento, seu deslumbre, embora saudável e compreensível.
Mas o certo é que a paixão não chega a ser nenhuma virtude, se entendermos que esse sentimento é prazeroso apenas para quem o sente.
Quando não existe a possibilidade de partilhar as emoções, elas tornam-se exclusivas de fato.
Se estamos apaixonados pelo ser amado, tudo fazemos para alcançar os nossos objetivos, por mais questionáveis e egoístas que venham a ser.
Portanto, virtude seria se pudéssemos dividi-la ou vivenciá-la com o outro.
O ato de oferecer uma esmola não é uma virtude em si, pois satisfaz o agente, fazendo-o sentir-se solidário e útil.
Estender a mão àquele necessitado é muito mais um dever nosso que outra coisa qualquer.
A premência do necessitado tem, na solidariedade do outro, a saída para resolver a questão circunstancial, jamais a estrutural.
Assim, a caridade explícita não é necessariamente uma virtude.
Quem age com bondade ou caridade apenas expressa um desejo de ser solidário
a alguém num momento de precisão.
Virtude é sentimento nobre que reside no coração das pessoas altruístas.
Daquelas quem têm firme disposição para o bem.
É virtuoso aquele que dispõe de boa qualidade moral.
Virtude é um dom concedido por Deus.
É a maneira diferente de se fazerem as coisas, aparentemente fáceis, mas que adquire um brilho próprio por estar revestidapelos bons propósitos.
Aquele que tem a percepção e o dom de ver o que está além da forma, além de uma lágrima; que costuma ler nas entrelinhas, que sabe entender o sentimento que acompanha as palavras, que busca captar a linguagem silenciosa do olhar, sem dúvida carrega consigo uma forma de virtude invejável: a empatia.
ooo
| Reflexões | Página Principal |