Velhice solitária
Luiz Maia
Velhice e juventude são etapas cronologicamente distintas que movimentam o ciclo da vida.
Nascer, viver e morrer fazem parte do processo natural de crescimento de todas as espécies.
Os jovens carecem de cuidados especias para que venham a se tornar homens responsáveis e competentes e, à medida do possível, possam alcançar uma velhice saudável e tranqüila.
Mas não é a isso que assistimos no cotidiano das pessoas que atingiram a meia-idade.
Há muitos velhos levando uma vida de pleno abandono, alguns descartados do processo da vida, desprovidos de dignidade e vivendo esquecidos em total solidão.
Enquanto os jovens ainda estão plantando as primeiras sementes de esperança, esboçando projetos impelidos pela aventura, têm sonhos e metas a atingir.
Eles mal começaram a descobrir os caminhos da vida, por isso dificilmente se deixam dominar pela solidão.
Simone de Beauvoir num de seus livros sobre a velhice mostra, entre outras coisas, que "o inconsciente não tem idade e que temos forte tendência a nos comportar, na velhice, como se jamais fôssemos velhos".
Raramente vemos um sessentão considerando-se nessa condição.
Alguns chegam a passar dos oitenta anos acreditando serem de meia-idade porque seu inconsciente assim o registra.
Mas por que há tantas pessoas vivendo na solidão?
A solidão às vezes pode ser uma doença social, e as suas maiores vítimas são as pessoas da terceira idade.
Elas já foram felizes, tiveram suas decepções, percorreram muitos caminhos, sofreram adversidades e acordaram de todos os sonhos.
Muitas não encontram mais sentido em sua existência e se encontram no crepúsculo da vida.
Vivendo de um passado remoto, povoado de saudades, elas esperam apenas chegar ao ponto final.
Mas se os velhos mantiverem o espírito jovem, sabendo-se velhos, e encararem a velhice como um estágio natural, certamente essa velhice tomará outro rumo e a feição será bem outra.
Muita coisa pode ser feita para diminuir ou minorar os efeitos da solidão.
Há que se buscar alternativas interessantes para os idosos poderem se adequar a tarefas que venham preencher seus longos dias.
Assim todos sentir-se-ão úteis e produtivos à medida em que possam oferecer suas experiências e aprendizado, absorvidos ao curso da vida, a serviço dos mais jovens.
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