Solidão
Luiz Maia
Tristeza não é sinônimo de solidão. Nem a solidão
significa algo ruim. Muitos artistas criaram suas melhores obras abraçados que
estavam às suas fantasias, em meio à solidão buscada. Gênios vivem num mundo
forjados na solidão que inspira e traz a tranqüilidade de que tanto
necessitam.
Quem em algum momento de sua vida não buscou para si a solidão? Ler, ouvir música,
refletir sobre uma séria decisão, tudo isso requer de nós um tempo para
ficarmos a sós. Houve um período em minha vida em que fui residir em São
Paulo. Não raras vezes eu adorava quando chegava o fim-de-semana para poder
preparar uma noite de solidão determinada, de uma solidão feliz.
Por outro lado sabemos que o ser humano costuma buscar na interação entre
pessoas a saída para escapar da solidão não desejada, não idealizada como
fonte de prazer. Por essa razão entendo como sendo de fundamental importância
pensarmos um pouco mais na solidão indesejada, na solidão que fere e humilha o
cidadão. Precisamos entender melhor aqueles menos extrovertidos, ajudando-os a
construir um mundo melhor para si, embasado em boas amizades que possam extrair
de vez a desesperança de suas vidas.
Foi pensando nisso que aflorou em mim
a necessidade de falar daquelas pessoas que estão vivendo mais ou menos fora
dos padrões tidos como normais da sociedade. Pessoas que vivem boa parte de
suas vidas em total solidão. Seres humanos que se vêem impossibilitados de
desfrutar de uma vida participativa, impedidos que estão de desenvolver certas
atividades essenciais como: trabalhar, estudar, casar e até constituir famílias.
Pensemos agora nas pessoas que vivem em guetos, segregadas que estão da
sociedade. Naqueles milhões de excluídos que fazem da solidão uma parceira
amiga. Precisamos denunciar a dor das pessoas que têm alguma deficiência física,
muitas carentes de tudo e que encontram na solidão seu único refúgio.
Faltam-lhes tratamentos decentes, transporte público adaptado que as levem às
escolas e ao trabalho, serviços públicos diversos que venham contemplar essa
parcela da população. Quando a solidão não é buscada passa a ser uma agressão
ao ser humano.
O principal alvo de minha preocupação é transformar essas sugestões,
calcadas em cima de uma realidade pouco lembrada, em ações. Isso porque sou
movido por esperanças. Esperanças em geral surgidas da região mais profunda
de minh'alma. Dividir a existência dessa realidade com você é importante para
mim. É uma forma de amaciar tantas solidões.
O que você tem feito da sua solidão? Como você se comporta diante dela? Você
gostaria de livrar-se dela ou tirar proveito próprio quando se vê abraçada a
esse momento? Não faça de sua eventual solidão um sofrimento ou uma inimiga
para si... Ao contrário disso, busque para si a solidão criativa que irá
renovar o seu viver através de alternativas antes não imaginadas.
ooo
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