Retalhos
Luiz Maia
Há
tantas estrelas no céu como grãos de areia nas praias.
Bem que eu poderia ser uma daquelas estrelas. Estaria a salvo e
salvaria minha amada também.
O meu amor por ela parece
sol de verão: queima, deixa marcas profundas. As noites são
mornas por aqui, e o nosso amor incendeia o nosso quarto.
Tudo
isso acontecendo e ela nem percebe como a acho linda,
Bobinha,
ingênua, mas digna de ser amada.
É incapaz de
perceber o quanto que eu a amo, nada
entende desse
Meu
amor por ela.
Vivo porque me alimento desse sentimento,
sorvo-o a cada instante. Quando nos amamos penetro por seus poros,
misturo-me ao
Sangue que corre em suas artérias.
Vejo-a
através das cortinas: sua silhueta é
inconfundível.
Admiro seu jeito de me fazer carinhos,
seu esforço na ânsia de me amar salta às vistas
de todos. Ela tenta, busca, erra e segue tentando. Se finge, parece
real.
E
se eu me engano é porque a amo demais.
Nossa geração
sepultou o romantismo, sente vergonha de amar quando impuseram o
descartável. Somos todos descartáveis. Eles ficam. Nós
ficamos. Todos ficam e todos se vão.
Geração
robotizada, automatizada, computadorizada.
As relações
humanas ficam cada dia mais frias, as pessoas eqüidistantes
somam-se à multidão de solitários.
Foi
neste mundo que eu a conheci. Ela saltou da tela do meu computador
para cair nos meus braços, e nos amamos tanto, tanto que
ela e eu somos um só. Por isso nosso amor é
carente e solidário. Carecemos um do outro, a todo
instante, a cada dia. Na solidão deste amor nos descobrimos a
cada momento.
Vivemos à mercê desse sentimento,
sepulto meus desejos para viver os seus.
E me alegro na sua
alegria!
ooo