Catarse
Luiz Maia
Suavemente frágil, fielmente amorosa, capaz de sonhar
delicados amores como impossíveis e chorar os limites tênues da vida.
Foi assim quando olhei em ti e notei a rigidez de tua face...
Vi lágrimas a encobrir tua ternura, como um sopro a espantar tal desventura.
Sopro purificador de almas, momento de purgação de um sofrimento atroz.
Instante pungente daquela que expõe a sua dor, sem medo de mostrar-se ao mundo.
Percebo em teus gestos cansados um jeito de quem não crê mais na vida.
Falas de amores vividos, de laços desfeitos e da vida por refazer.
Há gritos que falam pela alma dorida, de desencantos que são teus e meus...
Há momentos de belezas infindas, em cada gesto teu, quando choras a pedir
carinho que as mãos do mundo te negaram um dia...
Existem pessoas que, ao falarem de suas vidas, não só nos encantam como nos
possibilitam a chance de poder rever conceitos e caminhos outros nunca antes
imaginados. Suas palavras parecem um raio de luz que acende o escuro das almas
daqueles que enxergam mas não entendem o que seja ver.
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