As flores não morrem, desencantam...
Luiz Maia
O vento forte repentinamente se aproximou de mim.
Sem
perceber o perigo, eu resolvi seguir naquela manhã o meu
caminho, alegre e feliz, em meio aos arvoredos, segurando pela mão
a minha flor amada. Era uma rosa especial, dessas generosas e cuja
beleza e fragrância a todos envolvia.
O vento soprava
muito forte, mas eu continuei a caminhar agarrando-me a uma árvore,
buscando refúgio em seus fortes galhos, até que num
dado momento a ventania enlouquecida arrastou-me para longe, tirando
do meu alcance aquela flor. Juro que não houve tempo sequer de
eu poder segurá-la.
Desesperado, enlouquecido, corri
pelos campos chamando por seu nome, implorando a Deus que me fizesse
encontrá-la, até que, afinal ,eu a peguei em meus
braços, ferida, já tão frágil, tão
diferente daquela flor exuberante, agora necessitando de urgentes
cuidados. Eu fiquei ali parado, sem saber da gravidade que a
acometera, nem ao menos o que fazer. E em silêncio comecei a
chorar baixinho, e, agarrado à dor da impotência
pensei...
O
cerco encolheu velozmente
E
nós sentimos que ficamos sozinhos
No
meio de tantos.
Choramos
sem lágrimas
E
corremos sem nos movermos,
E
gritamos pela boca fechada,
Por
Deus, por misericórdia,
Não
nos deixem sozinhos sem a nossa flor!
Dali
em diante o meu peito apertara, a incerteza dominara meus passos,
antes firmes e cheios de esperança por viver. Ademais, o que
faço Senhor para continuar vivendo sem esta flor que alegrou
nossas vidas, mesmo tendo uma curta existência, era de todo a
razão da alegria e da felicidade de todos nós.
O
que fazemos, Senhor, se já não conseguimos olhar mais
de frente, querendo a qualquer momento ver esta flor desabrochar
sobre nós, a exalar seu aroma outra vez? O que fazemos agora,
meu Pai?
ooo