Não se estresse

Já dizia minha avó que vale mais um burro vivo que um leão morto.

Se você está com os nervos mais espichados que arame de cerca, pare pra pensar.

Cientistas americanos entendem que oitenta por cento das pessoas que buscam consultórios médicos, para conseguir medicamentos ou conforto, sofrem de algum tipo de estresse.

Diante de qualquer exigência momentânea da vida, maior ou menor, como assalto, esforço, dor, medo, humilhação, morte, desemprego, acidente, perda, conflito, desentendimento, chefe ou professor antipático, decisão difícil, viagem, negócio grande ou complicado, casamento, angústia, compromisso que afete a própria imagem, mudança de vida ou de cidade, namoro ou noivado desfeito, excitação emocional, dívida, diminuição de venda, perda nos negócios, contradições fortes entre a crença e a atitude, doença, perda de amigo, complexo de culpa, e tantas outras solicitações do dia-a-dia, o corpo entra em tensão, reage de acordo com a determinação mental, e libera adrenalina ou noradrenalina para sustentar e sobrepujar a situação.

Se o período de tensão for longo – para muita gente é coisa de todo dia – o corpo entra em estágio de exaustão.

Nessa altura, a pessoa fica com os nervos à flor da pele, tem dificuldade de trabalhar e de se concentrar, corre risco de enfarte ou e úlcera, enfraquece o sistema imunológico, diminui o vigor, o apetite e o sono ficam alterados, enfim há uma ruptura interna no equilíbrio do organismo.

Se o estresse não for resolvido, vai desembocar em depressão, que significa o desânimo da vida.

E lá fica você abatido, sem forças, sem vontade pra nada, sem entusiasmo, decaído, com cara de defunto de sétimo dia.

Você percebe que essa forma de viver é uma forma de não viver.

Fica claro que esse tipo de vida não é inteligente.

Ao fim e ao cabo, você não se agüenta mais e os outros não agüentam você.

Se está nesta situação, console-se, que esse é um dos males que mais afeta a humanidade de hoje.

Como diz a história do Pinóquio: << Éssere frito in compania c’ é sempre uma conzolazione>>.

Traduzindo: Ser frito em companhia é sempre uma consolação.

Com o quê não concordo. Quem gosta de fritura é peixe. Então, qual é solução?

Mude o sistema de vida. Se você continua a agir como sempre vem agindo, tudo tende a piorar. Antes de tudo é preciso enxugar a adrenalina, ou seja, fazer o organismo retornar ao estado de equilíbrio.

A alegria, o riso, a gargalhada – dizem os psiconeuroimunologistas – além de esgotar a adrenalina, leva o cérebro a produzir o hormônio altamente benéfico de endorfina.

O relax é o antídoto contra o estresse, só que a maioria das pessoas busca relaxar na bebida, no cigarro, na droga, o que não dá certo.

Faça relaxamento pala respiração calma e profunda, pela mentalização, por uma música suave, pela palavra que solta cada parte do corpo, pela prece, pelo sono bem dormido.

Também a atividade muscular, no exercício brando, contato com a natureza, esportes, passeios, lazer descompromissado, férias, desestressam. Como se sabe o estresse diminui a libido e prejudica a relação sexual; cultive agora boa vida amorosa e sexual, não regateie carinhos e nem abraços.

Adote sistema de crenças positivas, prazerosas, motivadoras.

Pratique a calma.

Dizia um professor de latim no meu tempo de seminário: <<Vou devagar porque tenho pressa>>.

Por fim, não esqueça de alternar horas de trabalho com horas de folga.

E parabéns, você está começando o melhor tempo da sua vida.


Lauro Trevisan

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