Namorar é verbo


Vem aí o Dia dos Namorados. Hoje e amanhã falarei dessa delícia que é o
namoro. Namorar é:

Nem sempre poder, mas querer e demonstrar, disfarçado-disfarçando.

Encontrar-se em cada reconciliação sabendo renascer e reviver dentro da
mesma relação.

Compreender-se porque se está junto, mesmo que pese e doa. Mesmo que venha
sendo ou tenha sido difícil.

Redescobrir as mesmas emoções iniciais e as traduzir num olhar diferente ou
numa emoção que já não dá para contar.

Provocar sem maldade a outra parte como forma de dela se aproximar.

Suspirar.

Sentir inexplicável falta da presença quando ausente, mesmo se incômoda
quando presente.

Fazer da impossibilidade o alimento para mais amor guardado; e do amor
guardado o abastecimento para o amor exercido.

Reclamar mesmo injustamente, mas para poder ser amado à sua maneira.

Levar um pedaço de vida que permaneceu durando mesmo quando a relação
acabou.

Imaginar o que seria se tivesse sido, mas durou, ainda que por instantes, na
fantasia.

Comemorar cada vitória sobre o tédio possível em relações de muitos anos.

Observe atentamente a construção das frases e perceberá que namorar é verbo:
poder, querer, demonstrar, encontrar, reviver, compreender, redescobrir,
traduzir, provocar, suspirar, sentir, fazer, reclamar, levar, imaginar,
comemorar.

E verbo é ação...

Amanhã prossigo.

Artur da Távola - 1999

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