"O dia em que Deus disfarçou-se de casualidade
Asseguram os Anciãos dos Dias que Deus quis descer ao mundo.
Mas buscou um disfarce.
Vestiu-se, então, de "casualidade".
E durante séculos passeou no meio de suas criaturas.
Desde então, o que não se passa em um ano, se passa em um instante.
Desde então, os homens enrubescem quando se dão conta do que devem à casualidade.
Desde então, os homens de ciência apoiam-se no acaso como o responsável pela vida.
Desde então, os imbecis culpam o acaso por todas as suas desventuras.
Desde então, para os ateus, a geometria luminosa e inigualável da ordem é somente fruto da casualidade.
Desde então, o acaso tem sido adorado por fanáticos e pessimistas.
Desde então, o homem vai de encontro ao seu destino, deixando-se levar pelo acaso.
Desde então, a casualidade tem-se rido constantemente de nós.
E o homem não sabe, mas, no fundo, todos têm razão: o acaso existe, não obstante viaje incógnito..."
J.J. Benítez, do livro A outra margem
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