ENTREVISTA AO JORNAL'ECOS

LUIZ MAIA

Jornal'Ecos entrevista o escritor e poeta Luiz Maia


Jornal'Ecos: Luiz, você nasceu em Recife. Há algum fato que tenha marcado de alguma maneira essa fase? E sua infância foi passada integralmente nessa bela capital pernambucana?

Luiz Maia: Vivi toda minha infância e adolescência residindo no Recife. Foram períodos distintos e os mais felizes que alguém possa imaginar. Lembro-me que os meus pais marcaram a minha vida, pelo amor extremado como nos criou. Este aspecto certamente contribuiu para que eu fosse hoje um homem de bem, juntamente com os meus seis irmãos. O amor que sentíamos um pelo outro marcou e muito a minha vida.

Jornal'Ecos: Às vezes quando crianças ou adolescentes elegemos um líder. Isso aconteceu com você?

Luiz Maia: Quando ainda jovem eu gostava de ouvir as canções interpretadas por Elvis Presley. Confesso que me fascinava o poder que ele exercia sobre as mulheres. Ele era o meu ídolo. Mais tarde, já não tão jovem e menos alienado, eu passei a admirar o revolucionário Che Guevara. Sua luta a favor dos povos oprimidos, sua preocupação contra as injustiças sociais, sua voz a favor dos excluídos e das minorias das américas, todo esse seu esforço sensibilizava-me sobremaneira. Mas não tive um líder que eu pudesse eleger para mim.

Jornal'Ecos: Como era sua vida familiar entre pais ou irmãos?

Luiz Maia: Sempre vivi arrodeado de paparicos, talvez por ser o filho mais velho. Éramos o pai, a mãe e sete irmãos (4 homens e 3 mulheres). Compúnhamos aquilo que se chama de uma família saudável e feliz. Temos todos gênios fortes e marcantes, em compensação chegamos às lágrimas com muita facilidade. Fazer parte de uma família equilibrada e saudável, em muitos aspectos, é certamente um traço que tem marcado a minha existência e me ajudado na minha caminhada. Sou feliz por Deus ter me dado os pais e irmãos que tenho. Sem falar em Ana Emília, a mulher que agora completa a minha vida.

Jornal'Ecos: A inclinação para a literatura existia naquela época? E quais os autores que você mais lia?

Luiz Maia: Minha inclinação pela literatura deveu-se ao acaso. É claro que eu sempre rabisquei textos e poesias tolas, mas sem nenhuma pretensão em um dia vir a escrever. Lembro-me bem quando eu li o meu primeiro livro: foi 'Demian', de Herman Hesse. A partir daí eu passei a ler vários livros seus, como: 'O jogo das contas de vidro', 'Sidharta', etc. Além de Herman Hesse eu gostava de Pablo Neruda, Jorge Amado e Albert Camus. Eles inspiraram muitas pessoas a tomar gosto pela literatura.

Jornal'Ecos: Luiz na sua juventude antes do acidente, quais eram suas atividades?

Luiz Maia: Em 1970 eu trabalhei em São Paulo num escritório de contabilidade, onde exerci a função de Escriturário Fiscal por dois anos. Posteriormente voltei ao Recife para ser Recepcionista do Hotel Côte D'Azul, na Praia de Boa Viagem. Por último fui convidado a gerenciar uma agência de automóveis, função esta que exerci até a data do meu acidente. Como é fácil perceber, nos meus três últimos empregos - antes de me acidentar - cheguei a exercer cargos distintos nos mais variados ramos de atividade. Sempre tive predileção por aventuras, nunca me apegando a empregos, namoradas e muito menos a bens materiais.

Jornal'Ecos: Poderia contar aos seus leitores como se deu o acidente?

Luiz Maia: Dia 8 de dezembro de 1973, uma sexta-feira à noite, juntei-me a alguns amigos e resolvemos ir a uma festa badalada da época. Mas quando eu quis me retirar, ao lado de uma nomoradinha que arranjara no local, lembro-me que ao sair daquele ambiente fui atravessar a rua para pegar o carro que estava estacionado do outro lado. Nesse instante um conhecido meu vinha em sentido contrário, bêbado e atirando para o alto do lado de dentro de seu carro, numa atitude irresponsável e inconseqüente. Uma das balas de seu revólver atingiu a minha cabeça, deixando-me para sempre numa cadeira de rodas. Dele não guardo mágoas, mas jamais quis saber de sua vida.

Jornal'Ecos: Sua força, vigor e talento fizeram de você um escritor e competente cronista cujas mensagens se refletem em muitas pessoas. O que lhe deu esse alento para iniciar a vida literária?

Luiz Maia: O início de tudo aconteceu por conta de uma profunda depressão que tomou conta de mim, no ano de 1994. Andei pelas mãos de alguns médicos e psicólogos, e quando imaginei que não haveria mais possibilidade de cura para o meu mal, eis que entrou na minha vida um médico maravilhoso, um ser humano solidário que me impulsionou novamente para a vida. Dr. Salustiano Lins é o seu nome. Foi ele quem me pediu para eu ir aos poucos escrevendo a minha vida, desde o meu nascimento até os dias atuais. Sem querer ele foi me iniciando nos caminhos da literatura. Eu, sem perceber, aos poucos ia tomando gosto pela arte de escrever. Hoje confesso que tenho verdadeira paixão pelos meus escritos, pelo momento maior da criação em elaborar mais um texto. Escrever minhas crônicas, uma poesia ou um texto reflexivo é algo muito bom que não sei traduzir em palavras.

Jornal'Ecos: Luiz, vivemos num país preconceituoso e às vezes indiferente a certos problemas. Como foi sua adaptação a uma nova vida que se delineava aos vinte e seis anos?

Luiz Maia: O começo foi difícil. Passei uns três anos com vergonha de encarar as pessoas na rua. Fugia de todos. Eu preferia estar em minha casa, especialmente no silêncio de meu terraço, ao lado da minha mãe. Só assim eu me sentia protegido. Por outro lado eu me sentia culpado por estar fazendo sofrer os meus pais, especialmente a minha mãe que já não demonstrava ter o mesmo brilho em seu olhar. Seu olhar expressava amor e compaixão, eu sabia que sem querer a fazia sofrer. Em 1976 eu fui para o Rio de Janeiro, lá me internei na ABBR onde me submeti a um longo tratamento fisioterápico. A partir dessa data minha vida mudou completamente. Aprendi que a vida não acaba por não termos as pernas para andar normalmente. Preconceitos existirão sempre. Fazem parte da natureza humana. Mas nada que supere a nossa necessidade de viver a vida, de sobrevivermos às intempéries que porventura possam surgir à nossa frente.

Jornal'Ecos: Ana Emília, sua maravilhosa companheira surgiu nesse momento de sua vida?

Luiz Maia: Ana Emília é a mulher que amo. Foi Deus quem a colocou na minha vida. A conheci no ano de 2000. A partir daí nunca mais nos separamos e vivemos uma união prazerosa e feliz. O fato é que Deus foi generoso comigo.

Jornal'Ecos: Foi especialmente difícil o desenvolvimento de "Veredas de uma vida", seu primeiro livro?

Luiz Maia: Como eu já insinuei anteriormente, escrever 'Veredas de uma Vida' não foi fácil porque mexeu com todo meu passado. Além disso eu escrevi como forma de terapia, buscando me recuperar da depressão que me acometera. Houve instantes de verdadeira catarse, sem falar que eu me encontrava por demais fragilizado. Concluí os 73 capítulos num único fôlego. Foi um ótimo exercício, porém doído.

Jornal'Ecos: Resolveu publicar "Sem Limites para amar" depois de ter reunido suas crônicas ou já esperava escrevê-lo quando criou as crônicas?

Luiz Maia: Tenho o hábito de escrever textos e guardar para serem aproveitados adiante. Minhas crônicas nascem pelo poder de observação que tenho das coisas à minha volta. Gosto de apreciar os inúmeros detalhes daquilo que se passa com as pessoas no seu cotidiano. Além disso, a natureza nos fornece vários elementos que podemos transformá-los em textos para a nossa reflexão. Há um vasto material ainda por ser explorado. Penso eu. 

Jornal'Ecos: Eu li recentemente seu livro de reflexões com Ana Emília. E gostei muitíssimo. Como aconteceu? Foi uma experiência emocionalmente compensadora para ambos?

Luiz Maia: 'Cânticos' é o meu terceiro livro. São textos reflexivos escritos a quatro mãos, em parceria com Ana Emília. Quando pensei em escrever 'Cânticos', logo imaginei que pudesse incluir 25 textos de Ana Emília. Eu quis fazer uma homenagem à mulher que amo, como também abrilhantar os exemplares já que ela escreve muito bem.

Jornal'Ecos: Quais seus planos futuros em relação à literatura?

Luiz Maia: Escrever no Brasil é muito cruel, mas também é muito estimulante. Existem muitas pessoas carentes de saber, e não sei como chegar até cada uma delas. Atualmente penso em ordenar meus pensamentos, objetivando com isso um dia escrever um romance cujo tema está ainda indefinido.

Jornal'Ecos: Luiz, Obrigada por sua entrevista, tenho certeza que seus leitores vão vibrar. E O Jornal'Ecos agradece carinhosamente.

Luiz Maia: Obrigado a você pela lembrança e pelo carinho sempre demonstrados.

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