Um grito no escuro...
Luiz Maia
Lendo o depoimento de uma professora de escola pública, submetida à violência diária no colégio onde ensina, passei a refletir sobre o desaparelhamento do Estado que oferece péssimas condições de trabalho ao seu corpo de funcionários. Esta é a triste realidade de uma profissional que escolheu lecionar por vocação, estudou e teve sonhos, para só depois perceber que tudo não passou de um grande pesadelo em sua vida. Estudar, ser idealista, almejar tornar-se uma boa profissional, são fatores determinantes para a realização de qualquer pessoa. Mas não é o caso da professora que afirma que "dá aula com medo, justo para jovens que ela deveria estar ensinando a serem cidadãos, e o contexto a impede de levar sua ideia adiante".
A
frustração pela qual passou já mereceria
das autoridades uma atenção especial para repensar o
falido modelo de ensino público implementado no país.
Imaginar que uma cidadã pense em desistir da profissão,
por absoluta incompetência do Estado, é a prova cabal da
inabilidade dos gestores no trato com a coisa pública.
Não seria leviano afirmar que outros funcionários
públicos poderiam se associar à indignação
da professora. O vazio existencial alegado por esta senhora serve de
espelho para outras categorias, como médicos e policiais,
sabidamente mal remunerados e que exercem suas funções
no limite de suas possibilidades.
O
alerta da professora traduz, entre outras coisas, o abandono em que
se encontram gerações de brasileiros sem que nada seja
feito para recuperar o ensino público e a auto-estima de
milhares de professores. É lamentável reconhecer a
desvalorização da profissão que mais influência
exerce na formação psicossocial e intelectual de uma
nação. O que perdura é a indiferença
de sucessivos governos, a roubalheira que grassa e a impunidade como
regra para a humilhação de uma nação que,
perplexa, permanece calada como se não crendo mais em nada.
Este ó sentimento que fica.
ooo