13 de maio
Luiz Maia
Oficialmente o dia 13 de maio é lembrado como a data em que a Princesa Isabel pôs fim à escravidão no Brasil. A História registra que a Lei Áurea foi assinada em 13 de maio de 1888. Mas é bom lembrar que desde a sua promulgação até os dias atuais pouca coisa os negros têm a comemorar. Já estamos fartos de assistir neste País a um tipo de preconceito camuflado que elimina a possibilidade de o negro almejar atingir cargos mais elevados no contexto sócio-econômico. Talvez por esse motivo nossos irmãos negros prefiram comemorar o 20 de novembro, referência à morte de Zumbi dos Palmares, como contraponto à data oficial.
Ninguém pode negar que
ainda existe uma espécie de segregação racial permeando a sociedade. A
"escravidão mascarada" no Brasil persistirá desde que continuem
sendo negadas aos negros as chances de competirem em igualdade de condições
com os brancos. O que vemos no dia-a-dia é uma relação hipócrita e
conflituosa com o sistema imposto pelas elites brasileiras, algo que nos remete
ao interminável jogo do faz-de-conta. "Moreninha",
"mulata", "moreno-claro", "pardo" são alguns
artifícios usados para tentar inibir a negritude das pessoas da raça negra.
Não deveria ser assim. Quando olhamos os números referentes às disparidades
sociais brasileiras, entre pobres e ricos e negros e brancos, não temos como não
nos envergonhar. Não pode continuar desse jeito. Quando iremos afinal ver os
negros assumindo cargos relevantes no Brasil? Dêem uma olhada nos números e
tirem suas conclusões. Com raríssimas exceções parece ser um privilégio o
fato de apenas brancos estarem ocupando as cadeiras de desembargadores,
executivos, magistrados, políticos e empresários neste País.
Assim como é fácil perceber que nos shoppings centers os vendedores são quase todos brancos. Aeromoças, modelos, atores e atrizes não fogem à regra. Ao negro parece que só lhe foi dado o direito de assumir papéis subalternos ou caricatos. Pelo visto o fim da escravatura não melhorou a condição sócio-econômica dos descendentes de escravos neste País. Sem um modelo efetivo de inclusão definido por políticas públicas que contemplem esse segmento, a simples emancipação jurídica não muda sua condição subalterna, muito menos ajuda a promover sua cidadania e/ ou ascensão social.
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