Rede educativa
Luiz Maia
A imprensa noticiou que
o Governo Lula cogita em criar uma nova TV pública no Brasil. O presidente, ao
contrário, deveria recuperar a estrutura da atual Rede Educativa.
Sabe-se que falta dinheiro para investir no antigo complexo de Rádios e TVs
Educativas do País. Emissoras que buscam divulgar a cultura e a
boa informação, por serem diferenciadas, deveriam receber um melhor
tratamento. Tal questão passa certamente pelos descaminhos que corroem a
gestão pública em todos os níveis. Por isso lanço o meu
veemente protesto contra sucessivos governos que deixaram as emissoras públicas
chegarem a esse ponto. O desmonte da rede educativa foi pensado para privilegiar
grupos e amigos da iniciativa privada. É preciso dizer que as
coisas são feitas sem que a sociedade seja chamada a participar das decisões. Sempre se
tratam os eleitores como algo desprezível, como um bando de idiotas.
Ao povo brasileiro só é dado o direito de ser enganado a cada dois anos,
quando é obrigado a votar imaginando viver numa democracia. Esquece que
temos instalado no Brasil um regime plutocrático, cujos representantes têm uma
dívida enorme para com o povo brasileiro.
Um ótimo exemplo desse descaso é o que ocorre com a TV
Universitária/PE. Fundada em 1968, a TV-U é uma entidade mantida pela
Universidade Federal de Pernambuco. Pioneira no Brasil em divulgar nossa
cultura, sua cobertura abrange o Grande Recife e cidades vizinhas. Além da TV,
as Rádios Universitárias AM/FM compõem o complexo de comunicação. A rede
universitária possui uma seleta programação, sendo seu ponto
forte a boa informação e o entretendimento de qualidade. Poderia ser muito
melhor não fossem as enormes dificuldades encontradas em manter no ar uma
emissora com poucos recursos, inclusive para sua manutenção. A situação não
está pior devido ao esforço inaudito dos funcionários abnegados que, com
criatividade, fazem de tudo para amenizar a carência financeira. Dói na alma
ver um patrimônio, como a Rádio e TV Universitárias, sendo relegado a plano
secundário pelo poder público, constituindo um tremendo golpe contra a precária
estrutura educacional brasileira.
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