O sentido da vida
Luiz Maia
Ao andar nas ruas parece que vivemos num mundo irreal. Vêem-se coisas que estão longe do alcance da maioria dos brasileiros. São prédios sofisticados dispondo de inúmeros confortos, automóveis de luxo, celulares e TVs de última geração, parafernálias eletrônicas que custam milhões, tudo isso misturado às crianças paupérrimas espalhadas nos semáforos a mendigar nas ruas. O que dizer dos maltrapilhos caminhando sem destino, alheios à distância que os separa de uma realidade que eles desconhecem? Ou seria a realidade absurda, pretensiosa, a ponto de ser exclusivista apenas para uns poucos? A humanidade parece esbarrar em questões cruciais, de fácil solução, mas que não foram ainda resolvidas. O mundo tornou os indivíduos cada vez mais materialistas. Mas será que a vida de muita gente está fadada ao esquecimento? Terá sido a vida de gerações de todo inútil? Melhor seria se os seres humanos vivessem com outras prioridades, valorizando as amizades, sem se sentirem obrigados a perseguir o dinheiro e muito menos o poder. Mas infelizmente não é isso que vemos.
Sei
que ninguém pode mudar o mundo, quando muito poderá
tentar mudar a si próprio. Nem mesmo os sonhadores o poderão
fazer, a não ser semearem o desejo de ver algo novo brotar em
cada coração. Houve um tempo em que eu acreditei na
possibilidade das pessoas serem mais solidárias. Apostei na
esperança de ver uma humanidade mais feliz, melhor em todos os
aspectos. Talvez tenha sido isso o que de melhor ocorreu em toda
minha vida. Nunca duvidei do poder que cada um tem de não se
deixar abater na derrota, de voltar a sorrir mesmo tendo perdido.
Pois eu creio que haverá um momento em que o homem vai saber
aliar os avanços extraordinários da tecnologia
à necessidade imperiosa de se olhar o outro como o
real depositário desses benefícios. Os aparatos de alta
sofisticação, que nos colocam diante de uma tecnologia
de ponta, não podem ignorar as necessidades de toda essa
gente. É preciso sobretudo compreender que o egoísmo é
incompatível com uma sociedade solidária e justa. O
verdadeiro sentido da vida está em buscar servir ao próximo,
colocar-se em seu lugar sempre que possível, amando a
todos sem discriminações.
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