Interação necessária
Luiz Maia
Imagino que o destino da humanidade se resume nessa infinita necessidade que temos de SER, de existir como seres humanos que somos. E só somos ao nos aproximarmos do outro; só existimos iniciando uma conversa, por mais breve que seja, com aquele que está ao nosso lado. Quando buscamos descobrir no outro as carências que estão latentes em nós mesmos.
Quando uma pessoa nos
conta de suas angústias, exprime certos momentos duros por que passou na vida,
confia em nós e passa a falar de seus fracassos, dos recomeços, da cansativa
espera e de sua inabalável fé em Deus, é porque somos imprescindíveis para
ela naquele momento. Mas haverá sempre espaço para nos sentirmos alegres com a
felicidade do próximo ou com suas memoráveis conquistas.
Interagir é de fundamental importância para que vivamos bem. A saudável
interação entre pessoas, em alguns casos até diferentes em essência, é uma
vitória da comunicação contra o medo de se expor. Apresentar um elevado grau
de timidez pode servir para camuflar uma insegurança e/ou uma angústia atrás
de um semblante distante, cujo tempo se encarregará de tornar um hábito
podendo se converter em um traço de caráter do indivíduo.
A permanente interação entre indivíduos reduz a inevitável solidão a que
estamos sujeitos. Quando nos bastamos com nossas próprias existências, somos
no mais das vezes egoístas e nos esquecemos de pôr em ação o nosso lado
solidário. É por essas e outras que sou um defensor nato da tese de que
devemos sempre interagir em nosso meio. Desse modo, só o fato de diminuirmos
algumas distâncias que pareciam insuperáveis, já teria valido a pena.
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