De tudo fizeram...
Luiz Maia
Já tentaram calar-me para que eu não falasse mais de amor. De tudo fizeram para inibir a minha alegria. Falaram para não ignorar a passagem do tempo, que a chegada da velhice apenas permite que sejam lembradas algumas boas passagens de nossa existência. Recuso-me, porém, a refrear o meu amor pela vida. Com os olhos voltados para o amanhã, mantenho o espírito aberto para o novo. Não levo em consideração alguns conselhos defasados, e logo me vejo novamente diante de uma maravilhosa sensação de amor à vida. Essa maturidade trouxe consigo o desejo por mudanças. Elas surgem dentro de mim quase que espontaneamente. Parecem um grande rebuliço transformando velhos conceitos, mas sem nenhum esforço deliberado de minha parte.
Aos
poucos, passo a passo, sigo usufruindo a vida e seduzindo com o
olhar, impondo o melhor de mim e quando menos espero meu
olhar se depara com o seu sorriso. E como é bonito quando esse
encontro se dá! Haverá um dia em que o ser humano
sentirá saudade da alegria que havia nos momentos simples,
da felicidade de uma mulher ao escutar um simples elogio, no
rosto da criança, na ida ao cinema aos domingos, no beijo
roubado dado na pessoa amada. Muitos de nós passarão a
entender que ser "velho" não significa ter uma idade
avançada, ou alguns cabelos brancos sobre a cabeça.
Somos de fato velhos quando nos esquecemos de colher as flores que
encontramos no caminho, se deixamos de nos enamorar por alguém,
se esquecemos de realizar projetos ou se descremos de vez na
solidariedade humana. Talvez aí sejamos realmente inúteis.
Como não falar mais de amor? Continuarei a amar até
conhecer a plenitude da paz, que é a total ausência de
desejos.
ooo