Carta a uma amiga
Luiz Maia
Nós estamos agora
passando por momentos de muita angústia, vergonha e constrangimento no País.
Instantes de purgação e mudanças também. Mas eu gostaria muito de vê-la
escrevendo seus próprios textos, falando de seu entendimento de vida e de
mundo. Como eu queria poder ler algo extraído de suas experiências, ouvir você
falar a respeito do seu próximo sonho. Dizer bem alto de sua esperança em
manter a chama sempre acesa. Dizer que jamais desespera e não deixa de crer em
dias melhores. Que jamais se cansa de tentar, por mais difícil que seja o seu
objetivo. O meu interesse seria o de vê-la escrevendo algo que viesse da
profundeza de suas entranhas, alguma coisa que pudesse produzir nas pessoas um
efeito animador. Eu peço a você nesse instante de meditação, que procure
exercitar toda sua criatividade, dando asas à sua imaginação. Eu necessito
beber da água de sua fonte, absorver um pouco mais de sua sabedoria.
Mais do que qualquer outro eu preciso saber de você sobre os caminhos de que
ainda dispomos para seguir nessa vida, pois os meus ideais de luta envelheceram
com o tempo, e hoje já não valem mais nada. Preciso urgentemente conhecer
novos amanheceres, quero ver novas estradas que não foram desbravadas, onde não
haja sequer sinais da maldade vinda de homens torpes, imagens que devemos deixar
para trás. Preciso saber de sua disposição em falar de sua vida, pois
necessito de você como nunca precisei de alguém antes. Já não existem em mim
tantas certezas, verdades ou esperanças. Talvez o medo de nada acontecer. Neste
momento habita em mim apenas uma forte dose de compaixão por nossas vidas, por
todas pessoas de bem que, cansadas de lutarem, resolveram comigo escrever a você.
ooo
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