Acolher
Luiz Maia
Recentemente, uma
amiga confessou-me estar se sentindo triste e estranhamente só. Não percebo
motivos aparentes para que se sinta assim. Porém, respeito sua sensação por
saber que se trata de uma mulher que possui sabedoria suficiente para
compreender o que fala sua alma. Reconheço sua grandeza em tratar de algo que
a aflige. Sentimentos semelhantes por vezes repousam em mim. Sentir-se só
talvez seja a simples constatação da ausência de alguém ao seu lado.
Conversar, namorar, trocar idéias, relacionar-se emocionalmente são
necessidades humanas que precisam do outro para se concretizarem.
Certa vez ouvi na GNT um psicanalista renomado dizer que a solidão não
existe, que não há razão para as pessoas se sentirem sós desde que
tenham à mão um livro para ler ou uma boa música para ouvir. De fato,
existem muitas maneiras de espantar a solidão. Se as pessoas olharem mais
para os lados, perceberão que haverá sempre alguém precisando de uma
palavra amiga, enquanto outros estarão sempre prontos a ouvi-la. É
primordial valorizar mais a amizade. Não há nada melhor do que poder
partilhar um pouco de si com um amigo. Haver alguém empático que nos acolha,
que tenha interesse em escutar o que nos angustia ou alegra, que amenize a
solidão em uma eventual carência, é prova de amizade e motivo para
sentir-se bem. Enalteço as amizades que prezam pelo respeito e
bem-querer ao outro.
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